Campanha TicTacTicTac

Campanha TicTacTicTac - Nota à Imprensa - 03/11/2009

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carta_lulaResultado da reunião ministerial ocorrida hoje entre Lula e os ministros-chave para definição da posição do Brasil na COP15 é essencialmente negativo, mas há pontos positivos.

O Brasil perdeu hoje uma excelente oportunidade de se posicionar mais firmemente como liderança na área de mudanças climáticas, aproveitando a realização da reunião de Barcelona – a última preparatória antes da COP15. Ao não ter uma posição firme e ambiciosa para mostrar agora, nosso país perde a ocasião de liderar pelo exemplo, e deixa de exercer a influência positiva que poderia ter sobre grandes atores e a opinião pública global. “Lamentavelmente, o presidente Lula alimenta as posições céticas em relação aos resultados de Copenhague, ao fazer exatamente o oposto do que pedem, em carta aberta, 38 das mais representativas organizações da sociedade civil brasileira, dos mais variados setores”, diz Aron Belinky, coordenador-executivo da campanha TicTacTicTac.

A “carta aberta ao presidente Lula” (anexa) já havia sido encaminhada ao governo na 4ª-feira da semana passada, 28/11, quando mais de 200 jovens de Brasília realizaram manifestação pelo clima em frente ao Congresso Nacional. A mesma carta foi também divulgada em entrevista coletiva ocorrida ontem em Barcelona, realizada por representante e apoiadores da campanha TicTacTicTac lá presentes: Oxfam, Greenpeace, WWF, Vitae Civilis e CUT. A carta foi hoje, finalmente, entregue em mãos ao ministro Carlos Minc, pelo jovem Embaixador do Clima João Pedro S.P. Barbosa (15 anos), um dos organizadores da manifestação de 28/11 e apoiador da campanha TicTacTicTac.

Algumas declarações dos ativistas presentes na coletiva de ontem em Barcelona, refletem as expectativas frustradas pelos resultados da reunião de hoje:

“O presidente Lula tem uma oportunidade histórica para deixar um legado como líder que contribuiu para a superação do mais desafiador impasse já enfrentado pela Humanidade e – ao mesmo tempo – colocar o Brasil numa posição compatível com a importância do país na nova economia de baixo-carbono, do século XXI” disse Gaines Campbell, da Vitae Civilis, entidade que coordena a campanha TicTacTicTac no Brasil. “Esperamos que ele aproveite a oportunidade, ao invés de ser apenas mais um político com visão de curto prazo, focado só na próxima eleição e em interesses imediatos”, complementou Katia Maia, da Oxfam, e também membro do conselho da TicTacTicTac.

Também a posição da ministra Dilma Roussef, divulgada hoje pela imprensa (“Pode ser que no dia 14 não tenhamos metas para divulgar” e “divulgar números não é o principal objetivo do governo”) foi objeto de comentário pelos integrantes da campanha.

Para eles, apesar de haver a necessidade de uma série de ajustes práticos, existe um amplo consenso na sociedade civil brasileira de que a ausência de um acordo ambicioso, justo e com força de lei em Copenhague irá retardar todo o processo de combate às mudanças climáticas e – ainda pior – irá aprofundar as disparidades entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Isso acontece na medida em que aqueles com mais recursos e informações (em geral, os países desenvolvidos) levam a vantagem de começar já a investir nas novas tendências, enquanto os demais perdem tempo e energia com negociações infrutíferas. “É um enorme erro pensar que o não estabelecimento de metas para todos os setores da economia ajuda a sociedade e o setor produtivo nacional: isso vai apenas criar uma falsa sensação de conforto no Brasil, enquanto os outros já estão correndo rumo ao novo paradigma da economia sustentável. O Brasil precisa mobilizar já seu conhecimento e criatividade, para ser um exemplo de economia de ponta, socialmente inclusiva e com baixo teor de carbono”, diz Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza – da WWF-Brazil.

Os pontos positivos, segundo Belinky, da campanha TicTacTicTac, ficam por conta do fato de que “ao menos, não foi fechada uma posição retrógrada, equivocada, e portanto ainda há espaço para que as demandas da sociedade brasileira sejam ouvidas”. Como pontos positivos, ele ainda destaca a menção de importantes setores da economia como potenciais oportunidades para metas de descarbonização, tendo como objetivo chegar a 40% de redução no total de emissões do país. “Ter à mesa também os ministros das Minas e Energia e da Agricultura é mais um fato positivo: é melhor o embate duro, mas aberto, do que a luta contra forças dissimuladas, atuando nas sombras”, completa ele.

Contatos com a imprensa: Viviane Moura – 21-7849-6458

 
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