16/12/2009 - Autor: Paula Scheidt, de Copenhague - Fonte: CarbonoBrasil
Principais entraves - metas e dinheiro na mesa - seguem sem consenso e os ministros terão que fazer o máximo possível nas próximas horas para reduzir as diferenças antes de os presidentes e primeiros-ministros entrarem na fase final do jogo climático
As falas da presidente da Conferência de Mudanças Climáticas (COP 15), Connie Hedegaard, e do secretário-executivo da ONU para Mudanças Climáticas, Yvo de Boer, nesta terça-feira (15) não esconderam a preocupação de que os ministros terão que esforçar muito nas próximas horas para que Copenhague não falhe em fechar um acordo.
“Você pode guiar o cavalo para a água, mas não forçá-lo a bebê-la. Agora depende dos ministros para termos um resultado aqui”, afirmou de Boer, usando uma metáfora para expressar todo o esforço que ambos estão fazendo para tentar convencer os 193 países que discutem um acordo climático a deixarem de lado as diferenças pelo bem comum.
“Temos aqui ilhas afundando, países árabes com petróleo acabando, países em desenvolvimento tentando combater a pobreza...Precisamos achar um ponto de consenso que atinja todas estas diferenças”, comentou.
Segundo Connie há ainda muitos obstáculos ainda para um acordo. Ela citou novas fontes de financiamento a longo prazo, compromissos de reduções de emissões mais ambiciosos e definições de como será o sistema de monitoramento, relatórios e verificação das ações de cada país, que na linguagem das negociações é conhecido pela sigla MRV. “Pode não parecer muito atraente falar sobre MRV, mas é algo crucial neste acordo”, destacou.
O tom sentimentalista mas também de urgência dominou a cerimônia de abertura do Segmento de Alto Nível, que começa nesta quarta-feira (16) com a chegada dos presidentes e primeiros-ministros. “O tempo para demandas insensatas acabou. Chegou o momento de consenso. Ninguém irá conseguir tudo o que quer nessa negociação, mas se tivermos consenso tomo mundo terá o que precisa”, declarou o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon.
Nós ainda atados
Os Estados Unidos foram claros nesta terça-feira (16) em afirmar que não devem mudar a meta anunciada pelo presidente Barack Obama alguns dias antes do início da COP 15, que é de reduzir em 17% as emissões de gases do efeito estufa em 2020 com base em 2005. Este número é o mesmo da lei climática em votação no Congresso norte-americano, já aprovado pela Câmara.
“A legislação poderá trazer um número maior, mas nós não vamos nos comprometer com isto agora, porque há muita incerteza e não queremos prometer algo que ainda não temos”, disse o enviado especial de Mudanças Climáticas dos EUA, Todd Stern.
O chefe da delegação dos EUA tentou convencer os presentes de que não era o ‘vilão’ da conferência usando outras seis métricas para a meta estabelecida para afirmar que o país está sendo tão ambiciosos quanto outros ricos ou mesmo quanto a China. Se usado o ano de 1990 como base, a meta colocada na mesa por Obama é de apenas 3% a 4%.
Comparando a União Européia, por exemplo, Stern disse que se observada a meta do bloco europeu de cortar 20% as emissões em 2020 tendo como ano base 2005 e não 1990 (que é o ano que a bloco estipulou como base), a redução seria de 13% contra os 17% dos EUA. “Em cinco de seis medidas, os EUA é igual ou superior a União Européia e outros países desenvolvidos. A única medida pelo qual os EUA não parece estar fazendo muito é 1990”, disse.
Imagem: Secretário geral da ONU Ban Ki-moon discursa na abertura do Segmento de Alto Nível
Crédito: Image.net/Getty Images
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